A Agricultura e a biodiversidade

As recentes evoluções ocorridas na agricultura provocaram uma substancial alteração na paisagem rural e na estrutura dos seus habitats, pondo muitas vezes em risco a sua sustentabilidade, este cenário é visível não só no Concelho da Mealhada, como também a nível nacional e mesmo a nível europeu. A expansão e intensificação de muitas das atividades antropogénicas, foram a principal causa da sua perda e degradação. Há que salientar que estes mesmos habitats originais foram resultado direto, ou indireto, da ação do Homem na paisagem, interessando por isso saber em concreto quais as causas que provocaram tais transformações. Estas alterações podem ser caracterizadas, de uma maneira geral por:

  • Aumento da produção, e aumento da área agrícola;
  • Aumento do uso de agroquímicos;
  • Aumento da mecanização;
  • Utilização de novas cultivares (muitas vezes sob um sistema de monocultura intensiva). Contudo, e tendo em conta as diferenças entre o tipo de agricultura, a estrutura fundiária, o clima, o solo e as disponibilidades hídricas, facilmente se percebe que estas alterações (impulsionadas por políticas produtivistas), trouxeram maiores benefícios à agricultura.

Como resultado destes novos sistemas de utilização do espaço rural, a fragmentação dos habitats originais aumentou, reduzindo-os a pequenos nichos, resultando daí uma perda de biodiversidade. Como exemplo destas alterações, podemos referir a transformação de um mosaico agrícola e florestal, característico de certas zonas do Mediterrâneo, em áreas de monocultura, a alteração do tipo de limites de parcelas, a intensificação agrícola e pecuária, o abandono das terras. Nas zonas onde o relevo se torna mais irregular, os socalcos e as leiras, possibilitaram a agricultura, e nos locais onde tal obra de engenharia não foi conseguida, aparece um tipo de vegetação menos agrícola, constituída por manchas de vegetação arbustiva, que em caso de abandono se transformam em densos e impenetráveis matagais, permitindo no entanto algum aproveitamento cinegético, necessitando contudo de um plano de gestão racional.

As características e a estrutura do habitat são assim, a principal condicionante de muitas das espécies da fauna e flora. Interessa salientar por isso, a importância das zonas cerealíferas, da gestão de orlas e pequenos bosquetes de vegetação arbustiva e arbórea e de zonas com pecuária extensiva, para a conservação da fauna e flora. Como exemplo pode citar-se a importância que estas zonas têm como habitat para uma parte substancial das espécies da avifauna do Concelho, proporcionando-lhes locais ideais para a nidificação durante a Primavera, e fonte de alimento (direto e indireto) durante os meses de Inverno. Nestas zonas, o aproveitamento turístico dos recursos naturais pode ser uma importante fonte de rendimento para os agricultores, quer através do turismo rural e do turismo de natureza, quer através da caça, existe no concelho uma Associação de caça, oportunamente fazemos referencia a esta. Assim, os agricultores podem, efetuando algumas mudanças nas práticas agrícolas, dar um importante contributo para conservar os recursos naturais, pois são eles os primeiros gestores do nosso património natural. Observamos que no Concelho da Mealhada essas mudanças vão fazendo sentir-se.

Contudo, é necessário garantir que as zonas rurais continuem vivas, de maneira a contrariar o abandono das terras verificados em muitas regiões. O desenvolvimento rural tem como maior desafio, contrariar a diminuição da densidade populacional nas zonas rurais, fixando a população residente, proporcionando novos postos de trabalho, desenvolvendo novas atividades (ou revitalizando as antigas) de maneira a satisfazer as novas necessidades de uma população cada vez mais citadina.

A agricultura e a biodiversidade

Sendo uma região de terras planas e férteis e de clima suave influenciado pela proximidade do oceano Atlântico, a Bairrada estende-se desde as faldas das serras do Caramulo e do Buçaco até às areias e dunas do litoral. De grandes e remotas tradições na cultura da vinha, a Bairrada é terra de muitos e bons vinhos, feitos com castas de alta qualidade. As vinhas da Região Demarcada da Bairrada são inegavelmente bonitas, e cada vez melhor tratadas. São locais ímpares que valem a pena ser visitados, não só pela magnífica paisagem que os vinhedos proporcionam, como pelas novas caves que recentemente surgiram. Com um clima mediterrânico/atlântico, caracterizado por Verões com dias quentes e noites frescas, a Bairrada, país das uvas, das vinhas e de grandes vinhos, é uma região de colinas suaves, soalheiras e barrentas, cujos limites naturais são os areais da orla marítima e as serras do Buçaco (Bussaco-Bos Sacrum dos romanos) e a do Caramulo. A região é formada por solos de constituição mineral de diferentes épocas geológicas onde predominam os terrenos pobres, que variam desde os arenosos aos argilosos, encontrando-se também os franco-arenosos. A vinha é cultivada predominantemente em solos de natureza argilosa e argilo-calcária.

A agricultura e a vitivinicultura são as atividades mais tradicionais e mantêm-se ainda hoje como uma importante fonte de rendimentos, porém, a pequena indústria e o comércio implantaram-se no local, ocupando uma considerável percentagem de população, contribuindo assim para o progresso e desenvolvimento. Os momentos de cultura, lazer e desporto realizadas são proporcionados pelas coletividades existentes nas diferentes freguesias, bem como pela Autarquia local. A Autarquia procura, dinamizar o Parque da Cidade, implementando em modo de produção Biológica a sua horta, o seu pomar e um cantinho destinado ás plantas aromáticas, medicinais e condimentares, acreditando que a prática da Agricultura de modo tradicional, traga uma mais valia para aquele espaço.

Objetivos Comuns:

  • Estimular a curiosidade infantil pelos fenómenos naturais;
  • Desenvolver capacidades de observação, organização e registo;
  • Desenvolver a capacidade de trabalho cooperativo;

Produção Biológica | Parque da Cidade | Horta pedagógica Objetivos

  • Estimular a curiosidade infantil pelos fenómenos naturais;
  • Desenvolver capacidades de observação, organização e registo;
  • Desenvolver a capacidade de trabalho cooperativo;

A Horta Pedagógica da Mealhada, foi pensada com a ideia de que o espaço de lazer deve partilhar do equilíbrio com a natureza, tornando esses dois lugares complementares, parte de um mesmo imaginário. Da zona de recreio, passamos ao espaço da Horta ao continuum naturale de uso público. A aproximação e confronto destes dois lugares com identidades próprias, posiciona-os perante um diálogo permanente com a natureza mais próxima da vida urbana, onde se transporta para a cidade a experiência do campo. A agricultura peri-urbana e urbana assume assim um papel fulcral de interesse cultural, social, recreativo e económico, na medida em que para além do abastecimento da família se foca na ocupação sadia dos tempos livres. A Horta Pedagógica da Mealhada, é um espaço de domínio público onde se possibilita a melhoria da qualidade de vida das populações e o aumento da experiência prática e sensorial na ligação com a Natureza que se traduz na possibilidade de contacto entre a população e as espécies agrícolas que utilizamos na nossa alimentação, através do seu envolvimento em diversas atividades.

A Horta Pedagógica apresenta um conjunto de atividades de educação ambiental, nomeadamente um espaço dedicado à compostagem, disponibiliza diversos serviços e promove múltiplas iniciativas, nomeadamente para festejar datas comemorativas do calendário rural/ambiental.

Atividades

  • Preparação do espaço físico destinado ao projeto;
  • Realização de trabalhos na horta (semear, regar, mondar, colher);
  • Pesquisas documentais sobre os produtos semeados (utilização de suportes de leitura diversificados: dicionários, enciclopédias, cd-roms, internet, ...);
  • Observação e registo (medição do crescimento da plantas, da temperatura e humidade);
  • Organização e tratamento da informação recolhida (textos, desenhos, cartazes, gráficos, enciclopédia, fotografias, vídeos e página HTML a inserir no website da câmara, e se possível com as escolas que envolvam os alunos nestes trabalhos);
  • Intercâmbio de experiências, com escolas que desenvolvam projetos sobre a mesma temática;
  • Divulgação do projeto à comunidade (jornal escolar, colóquios, exposições);
  • Confeção de pratos culinários com os produtos da horta.

O espaço dedicado à horta pedagógica está dividido em termos espaciais, para se produzir em três vertentes distintas, o especificado em cima esta relacionado com os legumes.

Cantinho das aromáticas

Nos espaços rurais, um dos fatores que intervém de forma decisiva na preservação ambiental, no desenvolvimento sustentável e na geração de novos rendimentos é, sem dúvida, a manutenção da diversidade biológica, procurando-se através dela uma diversificação das produções locais endógenas, de modo a aumentar o nível de rendimento geral da população e assim influenciar de forma positiva a qualidade de vida local. A preservação e o cultivo de plantas medicinais e aromáticas enquadra-se assim numa estratégia de preservação da diversidade biológica e de exploração económica de recursos endógenos, potenciada por uma predisposição acentuada para o seu uso, tanto ao nível da culinária, com para a prática de medicinas naturais, ou inclusivamente para a extração de essências com potencialidades industriais.

Objetivos

Pretende-se desenvolver nos jovens o interesse pelo conhecimento e valorização das PAM (Plantas Aromáticas e Medicinais), num contexto de preservação dos recursos naturais e do desenvolvimento rural sustentável, mediante o resgate e protecção do conhecimento tradicional (etnobotânica). O aroma das especiarias e das ervas aromáticas deriva das essências etéreas e de substâncias vegetais particularmente cheirosas. Têm o efeito de estimular o apetite, a produção de saliva e os sucos digestivos. As especiarias e as ervas aromáticas têm vindo a ser usadas desde a Antiguidade, como condimento na confecção da alimentação, sendo grande a sua importância. O aparecimento das especiarias no continente europeu remonta ao século XV, quando Portugueses e Espanhóis partiram à descoberta do Novo Mundo, à conquista daquilo que as especiarias representavam: riqueza e poder. Pretende-se ainda: Sensibilizar para importância de preservar saberes antigos, nomeadamente no que diz respeito aos usos tradicionais de plantas, que fazem parte do nosso "Património Imaterial" Divulgar da importância das plantas no quotidiano humano, bem como dos benefícios para a saúde do consumo de produtos provenientes de agricultura biológica. Sensibilizar para a importância da adoção de hábitos de vida saudáveis e para a estreita relação entre a qualidade e o tipo de alimentos e a saúde humana.

Pomar Pedagógico

Por ultimo o nosso espaço dedicado ao desenvolvimento rural sustentável, mediante o saber popular e tradicional, passa também pelo Pomar pedagógico. Este, pretende manter vivas as tradições e costumes do mundo rural dos lugares e aldeias de Portugal é o principal objetivo. Num espaço com cerca de 2500 m2 procura-se sensibilizar os mais novos para as questões ambientais e rurais, de forma a atingir a vertente sociocultural do projeto. O plano de atividades insere-se nos moldes do currículo informal que engloba duas componentes, pedagógica e lúdica, envolvendo-se ambas nas experiências e aprendizagens adquiridas pelos participantes. As visitas guiadas, com marcação prévia, estão disponíveis para grupos de todas as idades. No pomar os alunos das escolas, em pequenos grupos têm possibilidade de preparar a terra, de semear, mondar, sachar e regar, seguindo e aprendendo todo o processo de crescimento e maturação dos produtos hortícolas e as árvores.

Objetivos

  • Conhecer e identificar as plantas do Pomar, Horta e Jardim das Aromáticas e Medicinais
  • Sensibilizar para a utilidade e aplicações de determinadas plantas (alimentação, medicina, cosmética, etc.)
  • Compreender e acompanhar todo o processo de crescimento e maturação dos produtos hortícolas e frutícolas.


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