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5° Encontro com a Educação debateu a indisciplina na sala de aula

06 maio, 2014

5° Encontro com a Educação debateu a indisciplina na sala de aula
O Cineteatro Municipal Messias recebeu, no passado dia 3 de Maio, o 5° Encontro com a Educação. “Práticas Educativas e disciplina” foi o tema desta edição, que contou com a participação especial de Gabriel Mithá Ribeiro e Bárbara Wong, e a presença de mais de 150 participantes. O encontro apresentou um novo formato, mais prático, devido à inclusão de workshops temáticos para os participantes, e recebeu os maiores elogios dos presentes. “Foi uma aposta ganha”, frisou o vice-presidente da Câmara e responsável pelo pelouro da Educação, Guilherme Duarte, concluindo: “Estou ciente que saímos deste dia com mais conhecimentos, mais fortalecidos, com ideias renovadas e com toda a certeza mais capazes de enfrentar desafios e lidar com adversidades”.

A iniciativa pretendeu promover o debate entre os vários intervenientes no processo educativo sobre o tema desta edição e as palavras disciplina e indisciplina foram, sem dúvida, as mais ouvidas durante decorrer da iniciativa. A controvérsia começou cedo, com a intervenção de Gabriel Mithá Ribeiro, na conferência de abertura. O professor, com uma experiência de cerca de duas décadas em salas de aula de escolas da margem sul de Lisboa, que considerou “complicadas”, deixou claro que “um ensino de sucesso passa pela minimização da problemática da indisciplina”. E como podemos chegar lá? “NÓs podemos tirar a indisciplina das salas de aula, se tirarmos os agentes que provocam essa indisciplina: os alunos mal comportados. Não é errado expulsar os alunos mal comportados da sala de aula”, defendeu.

Gabriel Mithá Ribeiro foi mais longe e alertou para a perigosidade de não haver uma atuação imediata. “Não percebemos o problema que temos pela frente. O pico da delinquência é na fase da adolescência e nÓs queremos lidar com eles de uma forma romântica. é um contrassenso”, argumentou. “Nenhuma sociedade pode continuar a dar-se ao luxo de arrastar o problema da indisciplina como a nossa arrasta. Estamos a falar de um problema de violência social e de violência contra as mulheres, que são as que mais sofrem nas salas de aula. Esta questão é grave e não tem sido tratada como merece”, prosseguiu, sob o aplauso de muitos participantes, mas também a reprovação de outros tantos.

A solução, defendeu o professor, está no “esteja quieto, esteja calado”. “Se não conseguirmos isto, não conseguimos resolver mais nada”, defendeu Gabriel Mithá Ribeiro. “Isto é uma questão aparentemente simples, que tem que ter uma solução igualmente simples, prática e imediata e não burocrática. Uma sociedade que não acredita na palavra dos professores, que não legitima a sua atuação, que não lhes permite agir contra a indisciplina na sala de aula, é uma sociedade com uma educação má”, argumentou, concluindo: “Eu deveria ter autoridade porque sou professor. Não porque sou preto e homem”.

E se o primeiro orador defendeu a imposição da disciplina e do silêncio na sala de aula, a maioria optou por apresentar outras soluções. Albertina Lima, professora da Faculdade de Psicologia e de Ciência da Educação da Universidade de Coimbra, apresentou o conceito “mindfulness”, valorizando a capacidade de captar a atenção do aluno e promover a serenidade na sala de aula; o psicÓlogo Luís Marques defendeu uma disciplina estimuladora da autonomia e da autodeterminação do indivíduo; a educadora parental Cristina Ferreira apresentou a disciplina positiva como forma de alterar os comportamentos desviantes; a encarregada de educação Susana Almeida valorizou a importância de uma boa articulação entre a família e a escola; e, por fim, a aluna Marta Roque deixou alguns conselhos para se conseguirem alunos motivados, entre eles a criatividade das aulas, o elogio e o incentivo ao aluno.

O fÓrum prosseguiu depois de almoço, com a realização de workshops temáticos. Uma novidade desta edição, que foi elogiada pelos presentes. “Disciplina positiva”, “Estretágia de motivação e autoestima para alunos”, “Relação de pares – (Como) Estar atento”, “Novas formas de comunicação”, “Parentalidade positiva” e “Gestão de conflitos no recreio escolar” foram os temas de opção, havendo mesmo algumas repetições das aulas por excesso de inscritos.

O 5° Encontro com a Educação encerrou com a intervenção da jornalista do “Público”, especialista em assuntos de Educação, Bárbara Wong. Num discurso prático e simples e essencialmente dirigido aos pais, Bárbara Wong apresentou estratégias, ideias e soluções para o sucesso da educação e formação académica dos filhos. A jornalista deixou dicas para ajudar a escolher a melhor escola, para a preparação do ano letivo, para a participação em reuniões e para agir em casos de bullying, violência, queixas de professores ou de outros pais. Bárbara Wong defendeu ainda que a escola necessita de equipas multidisciplinares para resolver alguns casos de alunos indisciplinas, e deixou a sua opinião. “Estamos a regredir. O Ministério da Educação vê a escola como um sítio onde sÓ se ensina. Mas a escola é muito mais do que isso e esses alunos nunca vão ter oportunidades iguais se a escola não tiver esse apoio”.
O fÓrum de Educação foi organizado pela Câmara Municipal da Mealhada, em parceria com o Agrupamento de Escolas da Mealhada e a Escola Profissional Vasconcellos Lebre. Uma iniciativa aplaudida pela diretora regional de Educação do Centro, Cristina Oliveira, que salientou ainda a pertinência do tema. “O tema deste ano é particularmente sensível e constitui certamente uma das preocupações essenciais das nossas escolas do século XXI”. O presidente do Agrupamento de Escolas da Mealhada, Fernando Trindade, igualmente elogiou a realização de mais uma edição do fÓrum, defendendo a urgência e necessidade de se “mudarem a nossas práticas”. A alteração do formato do encontro, com a inclusão de workshops temáticos para os participantes, foi o destaque do discurso de Diretor da Escola Profissional da Mealhada, Nuno Canilho.

(2014-05-06) - Press Release






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