Revolta da Mealhada de 1946

Revolta da Mealhada

10 e 11 de outubro de 1946

A Revolta da Mealhada foi a primeira tentativa de insurreição militar contra o Estado Novo, depois da Segunda Guerra Mundial. Organizada por um grupo de oficiais milicianos comandados pelo Capitão Fernando Queiroga e coordenada pelo Contra-almirante José Mendes Cabeçadas – 9.º Presidente da República e o primeiro da Ditadura Militar de 28 de Maio de 1926 –, o golpe ficou com este nome porque foi na Mealhada que foi bloqueado pelas tropas leais ao regime.


O Capitão Fernando Gualter Queiroga Chaves mobilizou setenta praças do Regimento de Cavalaria 6 do Porto, de onde saíram, a 10 de outubro de 1946, em direção a Lisboa, em coluna de marcha. Dos planos constava um levantamento em Tomar, que nunca chegou a acontecer. As forças leais ao Regime, vindas de Coimbra, Aveiro e Figueira da Foz, formaram uma barricada na Mealhada, na zona dos Chafarizes (no entroncamento da EN234 com a EN1), e impediram a progressão da coluna prendendo os cabecilhas da revolta.


O julgamento dos revoltosos – onde se contava, também, o conimbricense Fernando Pacheco Amorim – ocorre em março de 1947, sendo alguns dos seus defensores os oposicionistas Amílcar Ramada Curto, Vasco da Gama Fernandes, Adelino da Palma Carlos e Abranches Ferrão.


Fernando Queiroga foi condenado, em 28 de março de 1947, a três anos de prisão maior celular e perda dos direitos políticos por cinco anos, tendo permanecido na cadeia de Peniche até 2 de janeiro de 1950. Queiroga exila-se, quatro meses depois, no Brasil, onde prosseguiu forte campanha oposicionista ao regime salazarista. Em 1958, após a campanha presidencial de Humberto Delgado, em finais de outubro, publica no Brasil o livro ?Portugal Oprimido?, rumando, depois a Cuba e, mais tarde à Europa. Em 1968, acreditando na Primavera Marcelista ainda tenta a reintegração nas Forças Armadas Portuguesas. Depois do 25 de Abril de 1974 foi promovido a coronel a título póstumo – uma vez que faleceu em dezembro de 1971.


No que diz respeito a Fernando Pacheco de Amorim foi condenado, na sequência da Revolta da Mealhada, a dois anos de prisão, pena que cumpriu no Forte de Peniche.



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