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Mealhada assinalou ontem o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência

10 dezembro, 2015

Mealhada assinalou ontem o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência

A Câmara Municipal da Mealhada assinalou o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência, ontem, dia 9 de dezembro, com um leque de atividades dirigidas aos cidadãos portadores de deficiência e à comunidade em geral. O programa começou às 10h na biblioteca municipal, com a conferência "(In)dependência diferente... Autonomia Igual", e prosseguiu à tarde com workshops destinados a pessoas com deficiência e realizados em vários espaços do concelho. A iniciativa terminou com um espetáculo cultural no Cineteatro Municipal Messias, realizado maioritariamente por cidadãos com deficiência e merecedor dos maiores aplausos do público. "Estou certa que são ações deste tipo que ajudarão a mudar mentalidades, a tornar a sociedade ainda mais inclusiva e solidária e a contribuir um pouco para a felicidade das famílias que vivem diariamente com esta realidade", resumiu a vereadora da Ação Social, Arminda Martins.

Independência e autonomia dos cidadãos portadores de deficiência. Foi este o tema que ontem de manhã, no auditório da biblioteca municipal, deu início ao debate do dia e também ao programa de atividades previstas para assinalar o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência. Elisa Lemos e Ana Teresa Almeida, da APPACDM de Anadia (Centro de Santo Amaro, Casal Comba), iniciaram a conferência com a leitura de um texto da autoria de Ana Teresa sobre o que é ser portador de deficiência. Um momento emotivo que deu depois lugar aos discursos. As oradoras falaram sobre a importância da instituição para a promoção da independência e da autonomia das pessoas com deficiência, dos desafios que essas pessoas encontram ao longo da vida, do facto de saberem bem quais são as suas limitações e até onde conseguem ir e da família, apelando a um maior envolvimento desta com o seu familiar institucionalizado. "É um esforço muito grande conseguir envolver a família nestas situações", sublinhou Ana Teresa.

As técnicas deixaram, depois, alguns registos na primeira pessoa de utentes do Centro de Santo Amaro, de Casal Comba, de forma a mostrarem a todos os participantes a importância que a instituição tem para esses cidadãos portadores de deficiência, para que se sintam pessoas independentes e autónomas, e sobretudo felizes. "As pessoas esforçam-se para que eu seja uma pessoa mais capaz, para que eu possa fazer coisas que nunca pensei voltar a fazer", considera JA. "Hoje sou mais feliz! Fazem com que eu possa ir para casa ao fim de semana", afirma, por sua vez, C.

Pedro Galveias, da CERCIAG - Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos com Incapacidades de Águeda, foi o orador seguinte. O psicólogo começou por apresentar Carla Sofia Rodrigues, presidente do Grupo de Auto Representantes - que depois também se dirigiu ao público para falar um pouco de si - e passou de imediato para o seu discurso, que foi centrado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Pedro Galveias lembrou que Portugal assinou e ratificou essa convenção que, mais do que qualquer outro documento, assegura precisamente a independência e a autonomia do cidadão portador de deficiência.

"Este é um documento de extrema importância. Há pessoas com deficiência que podem perfeitamente estar em casa, viverem com acompanhamento, com a família. Mas depois há muitas contradições. Uma pessoa com deficiência intelectual, depois dos 18 anos é considerada interdita ou inabilitada e pode não conseguir exercer direitos básicos, como votar, casar, partilhar, dispor dos seus bens, escolher onde e com quem quer viver. É como se fosse um menor de idade, vai haver sempre alguém que vai tomar decisões por si", asseverou Pedro Galveias, discordando e defendendo que o Estado deveria assegurar esses direitos.

"Segundo o art.º12, todas as pessoas têm personalidade jurídica e, como tal, podem tomar decisões, e devem, por isso, ser informadas. Diz o art.º 19 que todas as pessoas têm direito de escolha, direito de decidirem, por exemplo, como viver e participar na comunidade. E o art.º 23, por exemplo, defende que todos têm o direito a uma casa e a começar uma família, a decidirem quantos filhos querem ter, sem terem de ser esterilizados (como ainda é comum), a receberem planeamento familiar", defendeu o psicólogo da CERCIAG, argumentando que, para além disso, há ainda muita coisa que tem que mudar nas instituições, na família e na sociedade em geral.

A tarde foi de workshops, destinados aos cidadãos portadores de deficiência e realizados em vários locais do concelho. O desafio era simples, mas muito atrativo. Os interessados escolheram um dos locais possíveis - entre a Câmara Municipal, a Biblioteca Municipal, a Escola Profissional Vasconcellos Lebre, o Hospital da Misericórdia da Mealhada, a CADES e a Fundação Mata do Buçaco - para realizarem uma tarefa proposta durante umas horas, como por exemplo, a de rececionista de uma biblioteca. Uma forma do cidadão com deficiência experimentar um ofício à sua escolha e perceber como é a sua adaptação e a reação da sociedade. "Foi uma tarde dedicada aos que vivem, na primeira pessoa, as dificuldades de inclusão na sociedade e que se demonstrou muito participada e especialmente gratificante para todos", considerou Arminda Martins.

O programa estendeu-se até à noite. O Dia Nacional da Pessoa com Deficiência terminou em grande, no concelho da Mealhada, com um espetáculo cultural no Cineteatro Municipal Messias, pelas 21h, que contou com as prestações do grupo musical 5ª Punkada, da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, da Tuna da CADES e do grupo de teatro do Centro de Santo Amaro de Casal Comba, da APPACDM de Anadia. A maior sala de espetáculos do concelho encheu, para uma noite de celebração, de amizade e de convívio, em homenagem a todos os cidadãos com deficiência. "Não tenho palavras para descrever a noite. Foi um grande desafio trazer à comunidade um espetáculo diferente, com intervenientes diferentes, mas que correu muito bem e estou certa que, tal como eu, todos saíram daquela sala de coração cheio e muito mais sensibilizados para a temática que se assinalou durante todo o dia", conclui a vereadora da Ação Social, deixando um especial agradecimento "a todos os que tornaram possível a realização de mais este dia, extensivo  aos colaboradores da Câmara envolvidos e ao voluntários do Setor Social, que foram inexcedíveis, e de uma forma muito especial a todas as famílias e cidadãos portadores de deficiência que ontem estiveram connosco".

Press - Ficheiro PDF Press Release - 01 dezembro 2018






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